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3.1.11

Deixamos tudo e Te seguimos. O que receberemos?



Para quem vive numa sociedade capitalista, justificar um investimento é a coisa mais comum do mundo. Aqueles que trabalham na área comercial sabem que ressaltar os benefícios de bens e serviços é primordial em qualquer proposta de negócios.

Embora o evangelho não precise de justificativas para existir, muitos cristãos ainda tentam defender a sua causa por meio do anúncio de suas "vantagens":
"Ah... nesse fim-de-semana mais de 100 pessoas foram curadas em minha igreja. E na sua?" - "Ah... na minha, fizemos a campanha das causas impossíveis e profetizamos que mais de 100 saíram com a carteira assinada" - "Já na minha, o pastor profetizou a bênção do 'Cem Vezes Mais' e tenho fé que também receberei!"
Infelizmente, a matemática do evangelho capitalista de 100 vezes mais tem sido pauta de muitas reuniões cristãs. As vantagens são evidentes, afinal, quem não quer uma fé que recompense com tamanha rentabilidade? É sempre bom lembrar que o que Jesus disse foi que receberíamos cem vezes tanto em relacionamentos nessa nova comunidade chamada Reino e, pasme, que tudo isso também viria acompanhado de perseguições (Mc.10.29,30).

Aliás, esse toma-lá-dá-cá em algumas igrejas é tão explícito que a liderança convida aqueles "humildes servos" que desejam ofertar altas quantias a irem à frente receber uma oração especial (seja lá o que isso for). A cena é patética: os vitoriosos, de frente para a igreja, de cabeça baixa, mãozinhas sobrepostas e aquele ar de piedade como quem diz: "Fazer o quê, eu sou bondoso, né!?" (rs). Só falta um violino com uma triste melodia.
"Portanto, quando você der esmola, não anuncie isso com trombetas, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, a fim de serem honrados pelos outros. Eu lhes garanto que eles já receberam sua plena recompensa." - Mateus 6.2
Mas a pergunta que dá título à essa mensagem veio do próprio Apóstolo Pedro: "Eis que nós deixamos tudo, e te seguimos; que receberemos?" (Mt. 19.27). E embora Jesus já tenha respondido a questão, muitos cristãos ainda tentam ajudá-lo, complementando aquilo que Ele teoricamente "esqueceu": "Venha para Jesus e fique livre de todos os seus problemas", "Aceite Jesus e seja curado de todas as suas enfermidades", "Só Jesus pode lhe fazer prosperar!". Porém, como disse meu amigo Paulo César Baruk: "Deus não tem o dever de suprir nossas expectativas, mas tem o prazer de suprir nossas necessidades"

Veja, a Bíblia já nos deu garantia de que nossa obra tem recompensa (II Cr. 15.7). Os galardões foram garantidos pelo próprio Mestre (Lc. 6.23). Paulo, porém, nos dá um ideia da verdadeira motivação dos galardões quando diz: "...não corro como quem corre sem alvo." (I Co. 9.26). Creio que galardão ou qualquer tipo de recompensa seja apenas um lampejo do porvir. Uma brisa de esperança que sopra da Cidade Celestial. Uma luz no fim do túnel para lembrar-nos que estamos no caminho certo. Esse prêmio, porém, nunca será nosso alvo. O alvo é Cristo!

Que em nome de Jesus possamos servi-Lo com alegria de coração sem nos importarmos com recompensas ou vantagens. Que deixemos de anunciar um evangelho de investimentos, implorando aos perdidos que o aceitem. Afinal, o próprio Senhor virou para uma multidão que o seguia e disse: "Qual de vocês, se quiser construir uma torre, primeiro não se assenta e calcula o preço, para ver se tem dinheiro suficiente para completá-la?" (Lc. 14.28). É como se Ele dissesse: "Tem certeza que quer me seguir?"

E lembre-se: se Deus nos desse o que merecíamos, estaríamos perdidos!

No amor do Pai,

L. Rogério
@rogerdaescola

14.8.10

Quem quer milagreeee? L.Rogério

É impressionante como a Bíblia é contemporânea. Às vezes tenho a estranha sensação de que os escritores moram aqui ao lado. Observe João 6.

A Páscoa se aproximava. Uma multidão seguia Jesus depois de ver os milagres que Ele realizara. Organizado, Jesus pede que a multidão se assente e realiza então a sua primeira multiplicação dos pães.

De acordo com o Discovery Channel, o povo chegava a pagar cerca de 30% de sua renda em impostos, fora os dízimos que, muitas vezes, eram arrancados à força pela elite sacerdotal. O clima de revolta contra os romanos era latente, mas nítido.

Diante desse quadro, um homem simples, amigo do povão, aparece curando os enfermos e saciando uma multidão de cerca de cinco mil homens. Oras, era literalmente a fome encontrando a vontade de comer. Imediatamente o povo quis coroar Jesus, que prontamente retirou-se sozinho para os montes.

Porém, o povão, determinado em coroar Jesus, persegue-o até encontrá-lo. Chega, então, já puxando conversa: "Jesus, quando você chegou aqui?" - ao que Jesus responde (mais ou menos) assim: "Eu sei porque vocês estão me procurando. Tão de barriga cheia, né!? Vocês precisam é crer em mim!", ao que o povo responde: "Vixe, por isso, não! Nossos pais comeram maná do céu. E você, Jesus... O que tem para nos oferecer?" (v. 26-33).

Eis o vislumbre hodierno. Quando me pego nos embates apologéticos da vida, sou categórico: "A culpa é do povo. Os apóstolos e profetas da atualidade simplesmente dão o que lhes pedem." A coisa é simples assim - a igreja que oferecer mais, leva! Lei básica da oferta e procura.

Quantos são curados na sua igreja por domingo? Quantos caem? Você ganha o copinho com água benzi... ops, ungida ou tem que levar de casa? Na sua igreja tem arca? Quantos atos proféticos vocês já fizeram esse ano? Tem fogueira? E shofar?

Meu irmão, chega a ser constragedor dizer que lá na igreja a gente faz o louvor, recolhe uma oferta voluntária, reflete na Palavra e depois vai pra casa. Tá difícil competir com essas raves evangélicas que varam a noite e só terminam quando acaba a lã.

Mas cá pra nós? O povo gosta! E se disser que "hoje o teu milagre vai chegar" aí é que o povão fica satisfeito - dá até 30% de dízimo (rs), mesmo que não aconteça absolutamente nada, afinal, tem que ter fé... e muita, porque viver com 70% hoje em dia tá pela hora da morte.

Mas voltando à subversividade do evangelho da cruz, quando o povo ouve as palavras de Jesus, resmunga: "Ai, que palavra dura. Deixa quieto. Vam'bora?". Então, como não tinha programa de rádio, TV ou contrução de mega-templo em vista, Jesus diz pros doze: "E aí... Não querem ir também?"

Esse Jesus, hein... Dá até a impressão de que Ele não se interessa muito por quem vai à igreja apenas em busca de milagres. Sei lá... prefiro dizer como Pedro: "Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna. Nós cremos e sabemos que és o Santo de Deus" - isso me basta!


Toda glória ao Senhor Jesus!

9.8.10

Carta do Clay- L.Rogério

De: Wanderclayson Santos [mailto:clay-levita@iarrul.com]
Enviada em: domingo, 27 de junho de 2010 21:08
Para: L. Rogério [mailto:l.rogerio@escoladeadoracao.com.br]
Assunto: Decepcionado com a igreja

Olá, Pastor Rogério

Gostaria de saber se o sr. recebeu meu e-mail e o que achou de minha história, pois li seu texto "Minha pequena luz" e ele falou muito comigo, embora não tenha concordado com algumas coisas. Estou muito decepcionado com a igreja e comigo mesmo. Estou desviado e não sei mais o que fazer para recuperar minha fé. Abraços.

***

Caro, Clayson

Antes de mais nada, não precisa me chamar de pastor, pois não o sou. Sou apenas um crente em Jesus como você. Sim, recebi sua mensagem e saiba que você tem aqui um amigo com quem pode desabafar. Espero que as palavras a seguir lhe tragam alívio para a alma e apontem um caminho a seguir.

Bom, não acredito que você esteja desviado. Acredito que sua fé está passando por um momento de amadurecimento e isso é muito bom. Infelizmente você foi iludido por um lobo ou, quem sabe, outro iludido também, que te fez acreditar numa recompensa por aquilo que você fez, quando na verdade a Bíblia diz que somos abençoados pela graça maravilhosa de Jesus. Tenha certeza que seu antigo pastor dará conta disso naquele Grande Dia.

Particularmente acho que você está vendo demônios demais no seu dia-a-dia. Lembre-se, você é luz, e onde a luz chega as trevas têm que sair. Esses atos proféticos que decretam, determinam ou amarram são na verdade uma busca de algumas igrejas por um misticismo que nada acrescenta, pelo contrário, cria um idealismo anestésico. Na verdade, você deveria ter sido mais responsável com os seus horários.

Quanto ao seu gosto musical, isso não discuto. A Laudiane talvez nem saiba dos erros teológicos que sua música carrega. Só espero que ela um dia acorde para as distorções que está pregando com a sua música. Essa história de "é só vitória" também tira a sua responsabilidade para com o trabalho e o esforço pessoal. Você não vive numa redoma à prova de imprevistos, apenas tem a garantia de que em todas as situações o Senhor estará contigo. A vitória é uma consequência natural daqueles que vivem uma vida de integridade com Deus, e nem sempre isso significa o acúmulo de bens ou uma vida de mar de rosas. "No mundo tereis aflições" foi a "promessa" de Jesus que ninguém quis abraçar.

Veja, aquele seu aconselhamento à Dalilene também não pegou muito bem, né, irmão!? Além de você estar no seu horário de trabalho, você é um jovem solteiro e ficar de ti-ti-ti com mulher casada é brincar com fogo! E pior, seu conselho sobre a oferta à Casa do Senhor não foi coerente. Nós devemos, sim, contribuir com nossos dízimos e ofertas, mas em sinal claro de gratidão pela bênção do Senhor. A salvação de uma alma custou o sangue de Cristo, não um valor em dinheiro, entende? E lembre-se: "Deus escreve certo por linhas certas!". Ele será sempre coerente com Sua justiça e misericórdia.

Enfim, amigão, não acredito que sua demissão tenha sido fruto de perseguição do diabo ou coisa parecida. Acredito que você plantou num terreno muito dogmático. Mesmo assim, creio que Deus está te dando uma grande oportunidade de rever seus conceitos sobre a fé. Não fique frustrado com a igreja. Ela é feita de pessoas, e todo organismo composto por seres humanos tem falhas. Aliás, é de falhas uns dos outros que crescemos como seres humanos e filhos do Pai.
Olha... procure uma igreja séria. Ainda tem muitas, sabia? Tem muita gente compromissada com a Palavra. Existem comunidades onde o amor ainda prevalece, mesmo com as debilidades humanas - todos nós erramos! Busque ao Senhor e Sua Palavra. Seja bereiano, não dogmático, pois a letra mata, só o Espírito vivifica.
Um forte abraço e conte comigo no que estiver ao meu alcance.
Roger
***
PS: O Clay é apenas um personagem fictício, mas sua estória é a história de muita gente. Não é!?

Minha pequena luz . L. Rogério



"Todos os que estão sob o jugo da escravidão devem considerar seus senhores como dignos de todo respeito, para que o nome de Deus e o nosso ensino não sejam blasfemados. Os que têm senhores crentes não devem ter por eles menos respeito, pelo fato de serem irmãos; ao contrário, devem servi-los ainda melhor, porque os que se beneficiam do seu serviço são fiéis e amados. Ensine e recomende essas coisas." - I Tm. 6.1-2





Uma das maiores premissas da vida cristã é o testemunho. Dar bom exemplo onde quer que se esteja é requisito básico para todo aquele que se diz seguidor do Mestre Jesus. Tema corriqueiro na pregação de muitos ministros, a vida de separação do mundo como forma de santificação já foi largamente difundida e atestada por alguns como receita para a bênção de Deus. Não sentar-se à roda dos escarnecedores, então, tornou-se chavão na pregação que exige separação incondicional do mundo e de seus habitantes, afinal, diziam-nos, a nossa pátria não é aqui.





Acontece que vez ou outra na semana tenho a deliciosa oportunidade de almoçar com a Dany em seu trabalho. Como o refeitório é no próprio local, minha esposa vai mostrando-me seus colegas que partilham da mesma fé. "Amor..." - ela diz - "...aqueles dois ali são da igreja tal. As duas moças de cabelo comprido são da congregação tal. Aqueles quatro ali no canto são da missão tal...". Curiosamente, percebo que todos esses sentam-se separados das demais pessoas. Após o almoço, enquanto caminhamos pelo bosque, a cena se repete.

João Batista foi um dos grandes precursores da ideia de separação do mundo. Como atalaia da vinda do Messias, creio que sua lógica de distanciamento dos pecadores no comer, no vestir e em seu local de trabalho (o deserto) talvez fizesse todo sentido naquele universo. Como Jesus veio quebrando paradigmas, sua aproximação com os pecadores sentando à mesa dos corruptos, falando a prostitutas e perdoando mulheres em adultério não combinava nada com a separação de seu primo João - que justamente por isso mandou perguntar a Jesus se Ele era realmente o Cristo.

Quando Jesus questiona a eficácia da candeia debaixo da vasilha, logo nos propõe que a nossa luz deve brilhar diante da sociedade para que o Pai seja glorificado (Mt. 5.14-16), o que me leva à seguinte questão: "De que forma vamos impactar a sociedade se vivermos como alienígenas isolados e separados?". Viver uma vida íntegra e de separação nada tem a ver com distanciamento físico, mas sim ético, moral e de caráter.

É nesse contexto que muitos empregados cristãos amaldiçoam seus patrões, seus salários e, mesmo não sentando-se à roda dos escarnecedores, roubam suas empresas chegando atrasados, adulterando relatórios de reembolsos ou inventando doenças e imprevistos que só denigrem a imagem do evangelho de Cristo. Tem crente que a cada trimestre "mata" uma tia ou um primo para ir ao Hopi Hari. Haja parente!

Quero incentivar a você que me lê e professa essa fé: dê o seu melhor em seu local de trabalho! Estar empregado é uma dádiva de Deus. Servir à sociedade com nossos talentos e profissionalismo é motivo de glórias a Deus. Honre teu chefe. Respeite o presidente de sua companhia. Chegue mais cedo. Saia mais tarde quando for preciso. Entregue seus relatórios e planilhas impecáveis. Fazendo assim, tenho convicção que todos verão que sua dedicação é fruto de um coração restaurado, um espírito renovado e de uma vida cujo caráter reflete o espírito de Jesus.

"Escravos, sujeitem-se a seus senhores com todo o respeito, não apenas aos bons e amáveis, mas também aos maus. Porque é louvável que, por motivo de sua consciência para com Deus, alguém suporte aflições sofrendo injustamente. Pois, que vantagem há em suportar açoites recebidos por terem cometido o mal? Mas se vocês suportam o sofrimento por terem feito o bem, isso é louvável diante de Deus." - I Pe. 2.18-20

"O que você é te controla e ecoa tão alto que não consigo ouvir o que você me diz" - Ralph Waldo Emerson

23.7.10

Sabor de Fel L. Rogério

Desde criança sempre tentei justificar meus posicionamentos com relação a tudo na vida. Certa vez
levei uma surra do meu pai (a única que me lembro) por não ter ido à escola. A justificativa: eu não
tinha uma borracha. Desde então, percebi que precisava ser mais convincente em minhas
justificativas (rs).

Porém, tenho procurado cada vez mais evitar as justificativas daquilo que creio e confesso - ou como
diria meu pai: "ficar polemizando as coisas". Não preciso provar que Deus é Deus - Ele não precisa da
minha ajuda pra isso. Não preciso provar que Deus me abençoa por causa do Seu santo nome - e não do
meu. Na verdade, cansei da tentativa inútil de explicar que Deus não é Papai Noel e que não me abençoa por minhas atitudes! Nada que eu fizer O fará me amar mais, e nada do que eu deixar de fazer
o fará me amar menos.

Porém, com a graça de Deus, jamais deixarei de pregar aquilo que creio e de refutar esse evangelho
cínico da "egolatria" (II Tm. 3.2). Pregações e músicas que deixam bem claro a centralidade do homem
na adoração. Sutilidades do capitalismo disfarçado de fé.

Satisfação pessoal, sucesso e fama são os objetivos
do tal evangelho da prosperidade, que quando não está
às claras vem camuflado na "busca da sua vitória".

Frases como "quem tem promessa não morre" ilustram bem essa ala triunfalista de crentes. Além disso, destoam completamente do livro de Hebreus que deixa bem claro que toda aquela Galeria da Fé "morreu sem receber o que tinha sido prometido" (Hb. 11.13). Também é comum ouvir-se que "Deus mata pra te dar vitória" daqueles que se alistaram nesse Evangelho Talibã. E mais, esse bando de crentes mimados, que ao menor sinal da negativa de Deus ameaçam colocá-Lo na parede, rasgar cartão de membro, rasgar a Bíblia... que rasguem as suas roupas em sinal de humilhação e lamento por tanta bobagem que tem sido lançada ao povo de Deus, que muitas vezes é composto de gente tão humilde, quase incapaz de perceber tais ciladas. 

Se está em jogo a valorização do ser humano, ninguém melhor do que Jesus para nos ensinar o quanto
nosso Deus nos ama. A morte de Cristo na cruz é suficiente para me dizer o quanto Ele valoriza o ser
humano, mas nada, nem ninguém pode distorcer o evangelho e colocar "você no palco". Aliás, como
Zaqueu, quero descer o mais rápido que eu puder só para estar com Jesus, afinal, Zaqueu não
conseguiu chamar Sua atenção - o Mestre simplesmente parou, olhou e disse: "Desce, Zaqueu!". Por
isso é que não consigo esquecer o texto do meu amigo Franko Júnior quando ele cita o Salmo 50.21

“...Pensavas que eu era teu igual?”

Não, meu amigo... nosso lugar não é no palco! Nosso lugar é mesmo na plateia, com todos aqueles que
creem que Jesus é o Astro. A Bíblia diz que "dEle, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele seja a
glória para sempre! Amém" (Rm. 11.36). Aliás, imaginar alguém no palco dizendo: "Aí, tá vendo, seus
'troxas', quando eu estava na prova ninguém quis me ajudar, né? Agora vocês vão ter que aplaudir a
minha vitória!" - não me parece algo que glorifique ao Senhor. Penso que quando o Senhor Jesus me
abençoa, o propósito principal de Sua ação é trazer glória ao Seu nome - não ao meu.
Tão certo como o ar que respiro

"Adorai o Rei do Universo! Terra e Céus cantai o Seu louvor" diz-nos o hino 124 da Harpa Cristã. Pareceme

que esse compositor entendeu a essência do louvor e adoração. Ministros de adoração, líderes de
louvor, dirigentes de culto, crentes... vamos centralizar a Cristo em nossa adoração. Não permita que o
homem seja colocado no palco, precisamos tirá-lo de lá. No palco, o crente que acredita que Deus está
no Céu à sua disposição, pronto a atender seus desejos e caprichos, tem realmente a ilusão de que "é o
cara", que arrebenta, que vence, que destrói todos os seus inimigos (mesmo que esses sejam, na
verdade, seus irmãos na fé). É por isso que ele tem "cara de vencedor" (e alguém me mostre, pelo amor,
como é essa ‘cara’???).

Chega! Chega de "massagens do ego". Sim, eu quero que as pessoas vejam Jesus brilhando em mim,
mas, como disse Jesus, para que "assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas
boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mt. 5.16) e não para que alguém se sinta
diminuido ou arrependido de não ter me ajudado quando precisei. A vingança pertence ao Senhor (Dt.
32.35). Creio que quando sou abençoado, todos ao meu redor também são alcançados. Não quero ser a
atração da festa. Não quero estar no palco, pois creio que Deus "escolheu o que para o mundo é
insignificante... a fim de que ninguém se vanglorie perante Ele" (I Co. 1.28,29).
Sim, tenho que admitir: minha vitória tem sabor. Tem sabor amargo. Tem sabor de fel.
Minha vitória tem sabor de sangue!

Sangue carmesim derramado na cruz pra me dar vitória sobre o pecado. Sangue que purificou-me de
minhas iniquidades e trouxe-me das "trevas para a Sua maravilhosa luz" (I Pe. 2.9), onde posso ver
todas as armadilhas do diabo, que quer fazer-me acreditar que mereço estar no palco.
Jesus, a Ti a honra, a glória e o louvor para todo sempre. Amém.

No amor do Pai,

L. Rogério

Um Pai amoroso e gentil - L. Rogério

“Seja a amabilidade de vocês conhecida por todos.

Perto está o Senhor!” – Fp. 4.5

Vivemos num país de muitos dialetos. É comum, por exemplo, um paulista perder o fio da meada numa conversa com um nordestino. Cresci ouvindo minha tia dizer: “Arre-ema!”. Demorei entender o que meu pai queria no dia em que ele me pediu uma liguinha. Já minha mãe cansou de dizer durante as refeições que eu era esgalamido. E quando a gente não se aquietava num lugar diziam que tínhamos um frivião e que o que valia era a Lei do Chico de Brito (esse era famoso lá pelo Ceará). Mas de exemplos é bom parar por aqui, pois não quero mangar de ninguém, vai que tem algum familiar pastoreando meu blog.

Mas tão peculiar quanto o dialeto, é a forma como se fala no nordeste do país. O que para muitos de nós, paulistas, parece ser uma grosseria, na verdade não passa de uma resposta simples e direta.

Eu era ainda um menino quando visitei pela primeira vez a sede de nossa igreja com meu pai. Acostumado apenas com a galeria de minha igreja, contemplei espantado as três que formavam aquele grande templo, e logo perguntei: “Pai, isso não cai, não!?” – ao que ele me respondeu com toda delicadeza paraibana: “Isso não é feito de cuspe, não, ‘mininu’!”. Mas filho de nordestino não cresce com trauma, não… cresce cada vez mais macho! Mesmo porque, não se tratava de grosseria – esse é apenas o jeitão nordestino de ser!

Contudo, independente de nossa formação, a Bíblia nos fala de amabilidade como fruto do Espírito (Gl. 5.22). E não há como expressar amabilidade a não ser por gestos e palavras. Jesus deixou claro sua delicadeza quando disse: “Eis que estou à porta e bato!” (Ap. 3.20). O próprio Deus mostrou-se gentil ao chamar o menino Samuel sem assustá-lo (I Sm. 3.4), imitando a voz rouca e bem conhecida do sacerdote Eli.

É triste saber que muitos cristãos e obreiros (principalmente), ainda não entenderam o que é amabilidade. Pior que isso, vivem uma vida ranzinza e rabugenta acreditando, mesmo assim, ter os frutos do Espírito, quando na verdade a Bíblia nunca falou-nos de frutos, mas sim de fruto! Essa singularidade deixa claro que, ou se tem o TODO, ou não se tem nada. A amabilidade é consequencia natural de todo aquele que foi alcançado pelo amor do Pai. Uma espiritualidade que não se desdobra no bom trato, não passa de língua estranha.

Que em nome de Jesus sejamos amáveis uns com os outros no trato, no falar, na hospitalidade, na formação de novos discípulos, na tolerância aos mais fracos e principalmente no respeito para com as diferenças. Que o toque carinhoso do Pai seja imitado por nós, seus filhos, no dia-a-dia e na Casa do Senhor.

Naquele que nos criou com carinho,

L. Rogério



L. Rogério é autor do livro “Adoração para Anônimos” (Editora Reflexão) e tem ministrado nas áreas de adoração, apologética, liderança, família e outras. Seu ministério consiste em encorajar a igreja a um relacionamento íntimo e autêntico com Deus. Casado com Daniela Miranda, que faz parte ativamente de seu ministério, já ministrou em diversas igrejas no Brasil e nos Estados Unidos. É fundador do projeto “Escola de Adoração” em SP que reúne todos os anos diversos músicos, cantores e palestrantes comprometidos com o Reino. É formado em Análise de Sistemas e pós-graduado em Marketing e Comunicação Integrada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011

12.7.10

A fé e seus cercadinhos L. Rogério

Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que, como se ainda pertencessem a ele, vocês se submetem a regras: “Não manuseie!”, “Não prove!”, “Não toque!”? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne.” – Cl. 2.20-23
A religiosidade brasileira sempre foi amante das regras. É fato histórico que a maioria das denominações evangélicas do Brasil nasceram de uma mistura de regras e princípios morais. Era comum receber, mesmo que indiretamente (ou não), a cartilha da denominação com suas centenas de leis de comportamento e disciplinas. “Não pode!” - assim começavam os parágrafos da cartilha. “Não beba”, “Não corte o cabelo”, “Não use calças compridas”, “Não use barba”, “Não pinte as unhas”, “Não assista TV”, “Não jogue futebol”, “Não raspe as pernas”, “Não beba Coca-Cola”, “Não depile as axilas” (eca!), não… não… e não…
Mas até aí, nada de novo. Afinal, muitas denominações ainda seguem esse conjunto de usos e costumes à risca. Entendo até que muitos cristãos não tenham preparo para viver a liberdade que temos em Cristo Jesus, mas isso é assunto para outro post. O que percebo de perturbador nessa forma de viver não são apenas o jugo e a opressão dos crentes que obedecem a essas regras, mas a falsa sensação de estarem, dessa forma, cumprindo realmente os mandamentos de Cristo.
Certa vez um jovem rico e importante na sociedade da época procurou Jesus com a mesma intenção – cercar os mandamentos divinos num quadrado bem limitado que, certamente dariam a ele a segurança e o conforto de ser aceito por Deus. Perguntou o moço: “Bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?” (Lucas 18.18-29).
Jesus, que nunca se impressionou com retórica ou status social, logo entendeu que o jovem o chamara de bom num sentido jocoso, dúbio… pelo que respondeu: “Por que você me chama de bom? Não há ninguém que seja bom, a não ser somente Deus. Você conhece os mandamentos: ‘Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe’.”
Parece que posso ver, nesse momento, o coração do jovem se enchendo de alegria. Ele sabia a regra de cor e salteado. Como bom judeu, provavelmente havia crescido ouvindo e decorando a Torá. Seus limites e fronteiras eram bem determinados, por isso estava seguro de sua salvação. Provavelmente orgulhoso de seu comportamento exemplar, o jovem rico se gabou: “A tudo isso tenho obedecido desde a adolescência”.
Então Jesus, como num passe de mágica, desmonta o jovem e toda sua lógica humana dizendo: “Falta-lhe ainda uma coisa. Venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me.” A Bíblia diz que aquele jovem retirou-se entristecido porque era muito rico. Lendo as entrelinhas, percebemos que Jesus não está falando-nos de ganância ou de ostentação, mas de prioridades.
Não adianta querer listar os 10 mandamentos de Jesus. Isso é retroceder. Os judeus já haviam feito isso. Não contente com os 10 mandamentos, a Lei Mosaica ainda acrescentou 613 leis, e tudo isso serviu apenas para mostrar o quão distantes nós estaríamos de Deus, não fosse sua maravilhosa graça. Jesus está chamando-nos a dar um passo a mais. A rasgar a lei e mergulhar em seu espírito. A não decorar regras, mas viver seus princípios. Jesus está nos chamando a transcender… a ler as sagradas entrelinhas.
Quer viver a nova vida em Cristo? Siga o Mestre, durante a caminhada você irá tornar-se mais parecido com Ele a cada passo. Quer ser verdadeiramente um cidadão do Reino? Então não tente restringir ou limitar o espírito de Jesus a um conjuntinho de leis e regras morais, mas busque ao Senhor para ter a mente de Cristo. Só assim poderemos pensar como Ele, andar como Ele, agir como Ele e principalmente, amar como Ele! Vivamos a liberdade de Cristo!
No amor daquele que nos libertou,
L. Rogério
L. Rogério é autor do livro “Adoração para Anônimos” (Editora Reflexão) e tem ministrado nas áreas de adoração, apologética, liderança, família e outras. Seu ministério consiste em encorajar a igreja a um relacionamento íntimo e autêntico com Deus. Casado com Daniela Miranda, que faz parte ativamente de seu ministério, já ministrou em diversas igrejas no Brasil e nos Estados Unidos. É fundador do projeto “Escola de Adoração” em SP que reúne todos os anos diversos músicos, cantores e palestrantes comprometidos com o Reino. É formado em Análise de Sistemas e pós-graduado em Marketing e Comunicação Integrada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011).

21.6.10

Jesus está voltando! L. Rogério

Jesus está voltando!
L. Rogério

“…Dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus (…). E assim estaremos com Ele para sempre. Consolem-se uns aos outros com essas palavras.” - I Te. 4.18

Se você frequenta uma igreja evangélica, responda-me com sinceridade - há quanto tempo você não ouve uma mensagem sobre o tema: “Jesus está voltando”?
Falar da volta de Jesus está fora de moda. Não dá mais ibope. Pregador itinerante não pode se dar ao luxo de pregar o Céu. Já pensou? Ficar falando das maravilhas da Canaã Celestial? Que toda profecia será aniquilada e toda língua cessará (I Co. 13.8)? Só nesse primeiro parágrafo o camarada já perderia meia-dúzia de profetas. E as milhares de promessas que “deus” fez, como ficariam? Afinal, se quem tem promessa não morre, teoricamente também não pode ir dessa pra melhor de nenhum outro jeito e deixar essa pendência.

Imagina começar a dizer que Ele breve vem e os crentes começarem a nutrir um sentimento de esperança na glória celeste… E se esse sentimento gerar um desprendimento do material? O que será das grandes campanhas de prosperidade? Afinal, um evangelho em que a recompensa esteja no porvir não pode ser levado muito a sério, não é!? Imagina os crentes vendendo suas propriedades e repartindo entre os pobres… Vixe, as contribuições cairiam vertiginosamente. Olha o estrago!
Você já pensou nos tele-evangelistas vociferando: “Arrependam-se (…), raça de víboras! Quem lhes deu a ideia de fugir da ira que se aproxima? Dêem fruto que mostre o arrependimento (…)! Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.” (Mt. 3.2;7-10). Pronto, o caos está instaurado. Quem é que vai assistir a um programa desses que “não dá em nada”?

É típico do ser humano, principalmente do brasileiro, viver esse evangelho toma-lá-dá-cá. Pedro já havia dado um toque: “[Senhor] Nós deixamos tudo para seguir-te! Que será de nós?” (Mt. 19.27). E isso fica ainda mais claro no esforço que fazemos para ser aceitos por Deus. É monte, é jejum, é corrente, é promessa, é voto… Mas graças a Deus, Sua voz continua ecoando desde a Antiga Aliança: “Desejo misericórida, e não sacrifícios; conhecimento de Deus em vez de holocaustos.” (Os. 6.6). E quem é “prudente” e não prega esse evangelho tão gracioso para não deixar o povo relaxado, se esquece que a Bíblia não dá ponto sem nó e diz: “Que diremos então? Continuaremos pecando para que a graça aumente? De maneira nenhuma!” (Rm. 6.1-2).

Creio que a ideia de Graça demora a ser digerida por essa geração simplesmente porque ela não dá nada de graça! É por isso que pregar a volta iminente de Jesus é dar tiro no pé, pois se Ele volta amanhã, esse “evangelho-fundo-de-investimento” perde o sentido de sua existência.

Enfim, contrariando a muitos, quero trazer a memória o que me traz esperança e temor (não medo): “Jesus está voltando!”. Que a graça do Pai seja cada dia mais abundante sobre nós. Que o senso de responsabilidade para com o Reino domine nossas mentes. E que a misericórida do Senhor seja sobre nós a cada dia. Maranata! Ora vem, Senhor Jesus!

No amor daquele que vem nos buscar,

L. Rogério


observação

L. Rogério é autor do livro “Adoração para Anônimos” (Editora Reflexão) e tem ministrado nas áreas de adoração, apologética, liderança, família e outras. Seu ministério consiste em encorajar a igreja a um relacionamento íntimo e autêntico com Deus. Casado com Daniela Miranda, que faz parte ativamente de seu ministério, já ministrou em diversas igrejas no Brasil e nos Estados Unidos. É fundador do projeto “Escola de Adoração” em SP que reúne todos os anos diversos músicos, cantores e palestrantes comprometidos com o Reino. É formado em Análise de Sistemas e pós-graduado em Marketing e Comunicação Integrada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2011).